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Pitacos #3 | As melhores histórias de Sempre | V de Vingança

V for vendettax.jpgInspirado em Guy Fawkes e a Conspiração da Polvora, Alan Moore criou o roteiro para a ilustração de David Lloyd, e em 1982 a grafic novel V de Vingança era lançada. Publicada entre 1982 e 1983, a obra não chegou a ser completada, sendo retomada em 1988 para a conclusão.

De lá pra cá foram várias as vezes que o quadrinho foi republicado nos Estados Unidos, Reino Unido e Brasil, por exemplo, com edições coloridas e preto e branco, e séries de colecionador.

“Mas e o que é esse tal V de Vingança?”

Bom, se você realmente não sabe, já está errado.

V de Vingança não é apenas um quadrinho, é uma história inspiradora sobre revolução e luta pelo que acredita-se ser certo.

Seu personagem principal é o símbolo moderno contra a corrupção e o capitalismo.

Sendo assim, V de Vingança é para muitos uma filosofia, ou um estilo de vida. Uma forma de pensar e agir.

Toda a história passa-se na Inglaterra, no “futuro” de 1997, onde V – um anarquista mascarado – planeja sozinho derrubar o Estado. O enredo possui um forte apelo político, tendo o Governo uma postura de regime Fascista, com o controle da mídia e campos de concentração por exemplo.

V, motivado também por questões pessoais contra o regime, monta um plano com assassinatos e terrorismo para derrubar o governo, expor as suas crueldades, e conscientizar a população para que lutem pelos seus direitos. Ao final da novela, a conscientização de todos fortalece-se como a chave de seu plano, citando discretamente a história de Guy Fawkes, e aplicando uma ideologia de que um homem pode ser morto, mas uma ideia não.

Um homem pode morrer, lutar, falhar, até mesmo ser esquecido, mas sua idéia pode modificar o mundo mesmo tendo passado 400 anos.”  (V)

O quadrinho foi adaptado para o cinema em 2006, sendo fiel ao roteiro original. Alan Moore, obviamente, desaprovou, mas com certeza o filme é um dos preferidos aqui do blog. A atuação de Hugo Wallace Weaving (mesmo sem nunca mostrar o rosto) é excelente,  e claro, Natalie Portman como a personagem Evey Hammond foi perfeita.

V hoje inspira o grupo Anonymous, que adotou sua máscara como símbolo, e organiza e participa de inúmeros protestos de diversos temas ao redor do planeta. Isso deve-se à facilidade de nos reconhecermos em V, e de toda a identificação com os mesmos tipos de problemas que aceitamos da política.

Gostou? Então compre os quadrinhos e alugue o filme… ou baixe os dois. VIVA A REVOLUÇÂO!

“O povo não tem que temer seu governo, o governo é que tem que temer seu povo.” (V)

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Pitacos #2 | CINEMATOLOGIA | PARA ROMA COM AMOR

Quem passou pelo cinema nesse feriado, se deparou com filas enormespor conta da estréia do novo filme do homem aranha.  As outras salas dividiam o restante da programação, mas não a atenção do grande público, deixando passar batido o novo filme do diretor Woody Allen: Para Roma com amor.

O filme, como o título sugere, tem a cidade de Roma e todos seus ícones já conhecidos, como o Coliseu, as termas e sua arquitetura característica como cenário. Minha intenção não é fazer uma sinopse, nem uma crítica. Na verdade, não sei ao certo o quero fazer. Só contar minha impressão.

Como esperado, o filme contém muitas cenas de comédia com fundo crítico (ou não), contando diferentes histórias paralelamente. Uma sobre um casal de noivos prestes a se casar, onde um mal entendido, um noivo inseguro, uma prostituta – ou melhor, Penélope Cruz fazendo o papel de uma prostituta -, e uma noiva imprevisível forma a trama que preenche o filme com bastantes situações hilárias. A segunda história, que pode-se considerar principal, é sobre o encontro da família problemática de uma garota americana que namora um romano certinho -cenas onde o próprio Woody Allen atua-. A terceira é sobre um homem comum, que sem razão, é transformado na maior celebridade do momento. Por fim, a história de um jovem que reluta em não se deixar apaixonar pela melhor amiga de sua namorada, onde ao mesmo tempo, uma espécie de consciência em forma de um arquiteto americano famoso o aconselha a se afastar da garota.

Agora, depois de fazer praticamente uma sinopse, que é totalmente o oposto do que eu queria, minha impressão: Dos filmes que assisti, não é a primeira vez que Woody Allen usa as cidades quase como protagonista da história. Aliás, não me lembro de um filme que não o faça, como em Manhattan, Vicky Cristina Barcelona, e o penúltimo lançado, Meia Noite em Paris. Como arquitetos, somos um pouco inclinados a curtir o filme só pelas tomadas dos monumentos, praças e edifícios, porém, Woody Allen consegue mais do que isso. Quase sempre percebo um ponto de vista em relação a cada cidade, mostrando sua personalidade, sua dinâmica, particularidades e ao mesmo tempo, acredito, prestando uma homenagem a esses lugares. O resultado é óbvio: Nos transporta para o local e história ao mesmo tempo em que nos faz sentir íntimos das ruas e vielas estreitas.

 Se a crítica à sociedade não estivesse presente, não seria um filme de Woody Allen, aliás, não seria um filme. Com o rec da câmera, vem a crítica. Bom, neste filme a principal crítica mostra-se obviamente sobre a indústria das celebridades. Sua efemeridade, superficialidade, casualidade, falsidade e por aí vai. E mais, como as pessoas não só adoram, mas como não vivem sem isso. Natureza? Doença social? Vai saber, mas é um fato. A única coisa que podemos fazer é escolher como reagir. Woody Allen deixa claro sua interpretação, fazendo desta, sua marca registrada.

Bom, se você leu até aqui, sinceramente obrigado e espero que tenha gostado.

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Pitacos #1 | Trilhas Sonoras da Vida | Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe

Bom, vai aqui mais um daquelas postagem “semi-pessoais“, pois falarei do 1º álbum de um dos poucos ídolos que tenho.

O título é longo, mas as 13 palavras expressam com extrema clareza o sentimento de EMICIDA, ao lançá-lo em 2009.

Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe“… era exatamente o que pensava após o sucesso de seu single “Triunfo” (que faz parte da Mixtape) que disponibilizou na internet.

Sem produtora, todo o processo foi feito de modo independente. Gravou as músicas, o clipe, divulgou e produziu os CDs. Todas a capas foram carimbadas com o nome, simbolo e número. Um enorme trabalho artesanal.

Esta Mixtape foi a que abriu as portas para o “novo rap” – menos violento (e de certa forma mais pop, é verdade), mas que conquistou um lugar nunca atingido antes. Toda a aceitação que o gênero sofre hoje, deve-se à essa obra prima.

Mas nada disso importaria… toda essa história não faria sentido algum, se o conteúdo do CD não fosse bom.

Mas, o conteúdo é bom.

As batidas e as bases de cada música são ligadas, logo o fim de cada música é o começo da outra. São 25 faixas, das quais apenas 3 não me agradam totalmente.

Na minha opinião, existe uma boa influência de EMINEM em algumas faixas, como na entonação da voz que modifica conforme a letra pede, e até mesmo em algo dos beats.

A cada música que escutamos, a cada frase, passamos simplesmente a conhecer EMICIDA. Passamos a entender sua forma de pensar e enxergar as coisas. Passamos a conhecer fases, períodos e acontecimentos de sua vida. Passamos a saber o que lhe agrada ou não.

Passamos a, no mínimo, respeitar o enorme artista que é.

Bora conferir agora esse trampo? Primeiro temos o single/videoclipe que deu inicio a tudo isso:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=YMJOmIuUwiM&feature=plcp]

E aqui tem um canal com a playlist do cd completo. Pra saber mais sobre o EMICIDA, aguarde que ele estará em breve na seção Jovens Artistas.

Muito obrigado!

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