Arquivo da categoria: Arquitetos

Grandes Artistas #9 Tadao Ando

Particularmente sou fã da cultura japonesa. Toda a disciplina, filosofia e forma de agir me causa grande admiração e curiosidade sobre as ilhas nipônicas. E isso não é diferente quanto a sua arquitetura.

Para falar e estudar um pouco sobre isso, a série Grandes Artistas apresenta o arquiteto Tadao Ando.

Japonês nascido em Osaca em 1941, Tadao Ando é um arquiteto que utiliza os materiais em sua forma pura (como o concreto aparente), sem revestimentos, e os relaciona com os elementos da natureza, como luz, sombra e água, por exemplo.

Quando jovem (aproximadamente 14 anos de idade) Tadao trabalhou como carpinteiro durante certo tempo, aprendendo assim a manipular a madeira, material que seria presente em suas obras no futuro. Sua paixão pelo boxe também foi muito notável em sua vida, sendo praticante ainda hoje do esporte no qual lutou profissionalmente, também na juventude. Foi também caminhoneiro antes de tornar-se arquiteto.

A primeira experiência de Ando com algo ligado à arquitetura foi durante a infância, quando brincava na marcenaria do distrito onde vivia. Ele conta como imitava os marceneiros, desenhava e produzia objetos simples, como pontes e barcos. Mais tarde, ajudou o carpinteiro na reforma para acrescentar um pavimento em sua casa. “Ao abrir um buraco no teto, uma luz branca penetrou através da casa escura e úmida. Pela abertura, podia-se ver em destaque o céu azul. Meu coração infantil sentiu uma profunda emoção”.

Sua formação como arquiteto é interessante por nunca ter frequentado uma faculdade. Aprendeu apenas lendo livros e visitando edificações. Viajou pela América do Norte e Europa com o intuito de aprender “da sua maneira” sobre projetar e construir. Sendo assim, Ando pode ser considerado autodidata, assim como sua maior referencia moderna: Le Corbusier.

Tadao é prestigiado por seu estudo sobre a arquitetura tradicional japonesa, a arquitetura moderna que pregava-se em sua época, e pelo casamento dos dois em suas obras.

A forma como trata a natureza em seus projetos é inconfundível, fazendo da luz natural parte fundamental de seus edifícios, onde cria desenhos, símbolos e sensações com a forma da própria iluminação. A água também é muito monumentalizada, com espelhos d’água, ou quedas ou passagens extremamente bem implantadas.

Dentre os vários prêmios que recebeu em sua carreira, o Prémio Pritzker de 1995 foi certamente o mais importante. Doou os 100 mil dólares da premiação para os órfãos do Terremoto de Kobe.

Gostou do nosso Grande Artista? Tem uma ótima noticia pra você então. Tadao Ando lançou uma autobiografia, que além da Asia, foi lançado apenas no Brasil! Distribuído pela Editora Bei, você pode compra-lo aqui.

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GRANDES ARTISTAS #4 – RENZO PIANO

Italiano nascido em Genoa, em 1937, Renzo Piano é um arquiteto que foge das formas primárias, varia sua volumetria e serve-se de materiais diferentes, adeptos ao termo High-Tech.

Iniciou sua carreira de forma um pouco diferente ao convencional da atualidade: dos canteiros de obra para o escritório. Passou seus primeiros seis anos profissionais na arquitetura pesquisando em campo sobre as estruturas e os materiais. Diz que sua ligação com o construir foi o que o levou à arquitetura, e não o contrário.

Considera que em sua vida teve vários mestres, como os arquitetos para quem trabalhou, alguns dos quais trabalhou em parceria, alguns de seus professores de arquitetura e até mesmo alguns de seus amigos músicos, escritores e pintores. Em seus livros cita os nomes de Louis Kahn,  Jean Prouvé, Marco Zanuso e destaca Franco Albini.

Espaço Liturgico para o Padre Pio – San Giovanni Rotondo, Itália

Piano diz não conseguir definir o que é um arquiteto, ou mesmo o que é a arquitetura, apenas mantém a ideia que a arquitetura é algo formado e sustentado por três elementos: Sociedade, Ciência e Arte. Afirma que a sociedade e suas necessidades é que dão sentido ao projeto arquitetônico; a ciência se relaciona à busca pelo novo, à coragem e curiosidade que a arquitetura exige, e à possibilidade de execução do que é imaginado; a arte liga-se à criatividade, ao uso da matéria, espaço, luz, dimensões e escalas para gerar emoções e sentimentos.

Renzo Piano levanta uma questão pouco discutida, mas extremamente importante. Afirma que a arquitetura é uma arte perigosa, por ser imposta. Uma arquitetura ruim não nos dá a escolha de convivermos ou não com ela. Nossas cidades não nos oferece a opção de vivenciar ou não uma arquitetura sem qualidade. Ou de ver ou não a plastica completamente repensável dos prédios e empreendimentos das grandes incorporadoras. Uma música ruim por exemplo, você pode escolher se vai escutar ou não. Podemos simplesmente não assistir um filme de mal gosto. Mas uma arquitetura imposta é algo muitas vezes perpétua.

Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou

Como arquiteto, o artista venceu importantes concursos e recebeu diversas premiações. Dois de maiores destaques foram o Prêmio Kyoto (equivalente japonês ao Prêmio Nobel concedido) em 1990 na categoria Arte e o Prêmio Pritzker (equivalente ao Nobel ou Oscar da arquitetura) em 1998.

Sua obra de maior destaque é o Centro Georges Pompidou, resultado de um concurso internacional de 1971 que venceu. O projeto localiza-se no centro de Paris, e sua principal característica é a exposição externa de sua estrutura e dos dutos das instalações. A sensação de ideia de máquina e tecnologia que o edifício passa é extremamente forte, mesmo com todos os componentes montados artesanalmente.

Centro Georges Pompidou

A praça em frente é hoje um dos lugares mais animados de Paris, onde apresentam-se artistas de rua e exposições a céu aberto, visitadas diariamente por cerca de 25 mil pessoas. Serve também para criar a relação do edifício e o contexto.

Gostou? Se interessou? Pesquise mais sobre Renzo Piano na internet, entre no site do seu escritório, leia seus livros e aprenda tudo o que conseguir sobre esse mestre.

Estamos fazendo o mesmo.

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Grandes Artistas #1 – Bjarke Ingels

Nossa paixão por arquitetura aqui no estúdio é mais que conhecida. Também nosso hábito de questionar tudo o que aprendemos, conhecemos e vemos por aí. Uma das grandes críticas minha e do Rafa é em relação ao ensino da arquitetura. Enquanto o mercado exige um modelo genérico e sem qualidade, nas escolas brasileiras enfiam garganta a baixo uma utopia moderna, hoje desprovida de ideologia que acaba tendo um caráter meramente estético!

Quando conhecemos o trabalho desse mestre com cara de moleque aí do lado tivemos a oportunidade de repensar o que estávamos fazendo e o que queríamos para nós mesmos enquanto profissionais.

Bjarke Ingels é um arquiteto dinamarquês nos seus 37 anos, uma criança se comparado a outros grandes arquitetos! Estudou arquitetura na Royal Academy em Copenhague e na Escuela Superior de Arquitectura de Barcelona. Trabalhou com grandes feras do cenário internacional como Enric Miralles, mas creio que sua verdadeira história começa no OMA, junto com nada menos que Rem Koolhaas.

Hoje comanda o escritório BIG (Bjarke Ingels Group; que felicidade na escolha do nome heim?) com diversos projetos premiados como o conjunto multifuncional 8 House e o edifício habitacional Montain Dwellings.

O que mais me chama atenção em Bjarke são suas idéias nada convencionais (porém fantásticas e carregadas de sentido) sobre desenvolvimento da cidade, educação, sustentabilidade, espaço público e sobre a própria concepção de seus projetos. Bjarke também é realista em suas análises do meio, enquanto propõe coisas inusitadas, o trabalho é realista: explora as leis de mercado, propõe formas que ultrapassam as definições convencionais de público e privado e busca conexões diretas entre os usos, qualidades e potencialidades dos edifícios em algo que chama de “sustentabilidade hedonista”: sustentabilidade a fim de melhorar a qualidade de vida dos usuários. Tudo isso constitui um pensamento chamado por ele de “Think Big” e o que deu origem ao seu manifesto arquitetônico, “Yes is More!”

Acreditamos que o trabalho de Bjarke e do BIG deveriam servir de parâmetro para estudantes de arquitetura e profissionais da área. Novas idéias e postura crítica com o pé no chão!


Curtiu? Então confere aí o trabalho desse grande mestre e de seu escritório na página oficial do cara BIG

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